Novas Poesias

Novas Poesias

 


SONHO

Eu sou de aço assim como os meus
sonhos.

Eu sou do tamanho
dos meus
sonhos
que são do tamanho do universo.

Os meus sonhos são de hoje
e de todos.

Mistério

O teu olhar
é um
enigma

O teu sorriso
mistério que
não
decifro.

Como
sentinela
você observa
e
indaga todos e tudo,

O
mistério começa
com olhar,

Olhar de curiosidade,
sem conceito,
virgem
de si.

Mistério começa e
termina com o olhar
dos
dicionários.

Algo

Algo me invade e
ensurdece
o meu escuro
como um grito feminino
estalado pelo soco covarde.

Algo me invade e me arde
de dentro para fora,como os Estados,
Municípios
sem nação.
Algo me invade e não demora sair.

Não -poesia

Armaram-se de
ternos e gravatas,

Onde estão os poetas?

Imcubidos de dizer
aquilo que não sentimos,

Onde estão os poetas?

Longínquo momento
de deleite da palavra,

A não-poesia instalou
nos ventres
dos poetas,

Onde estão os poetas?

Arte

Múltiplas cópias
de segundo marcam
o compasso da arte.

Arte ingrata que recebe
mais que fornece.

Arte maldita,
arte de graça!

Arte, não infinita,
não arte mas arte,

Arte que não reduz a si mesmo
é mesmo arte?

Fome

Tenho fome
da fome
do mundo.

Fome inconsumível
dentro
de uma migalha
de minuto.

Fome que
não rima com nada
fome que não sente fome.

Fome que consome
que não some.
Fome que mata o homem?

Será?

Preciso pular o muro que me
cega a utotopia

Impreciso
penso não fazer parte da
ausência
de mim.

Cuspo injustiça,urino
estrupos,vomito
mortes e assaltos,

Engasgo com os jornais.

Repenso,
Haverá sentido para tudo isso?

Sonho II

Sou feito desse
material,
denominado
sonho

A certeza da
minha
existência

A aposta
da minha vida,

Sou feito
desse material
chamado
sonho,
cuja
o símbolo
cristaliza
o meu dia.

Parto

Parto para perto
do porto
de pedra
da minha vida.

Se não pudesse partir,
o que faria?
Voaria como
vento
metarfoseando
numa brisa
criando raios, rasos
risonhos de sol!

Parto para dentro
de ausência de mim numa
crua procura de mim.

Medo(?)

Quem és?
Quero lamber as suas feridas
medo, quem és?
Não sinto pavor de te,
mas sim angústia de
sua ausência.
A lacuna do fundo
do
oceano.

Medo,
para quê?
se medo, temos todos?

Medo,
incógnita
Perdida no espaço
triangular
dos nossos atos.
Medo, sinto medo.
da ausência de te.

Greve

O poeta esta de greve
Não remunerada
Taxada
De adeptos
Sensibilizados
Com abstinência
Incomum.

O poeta não fala
Ontem bebeu
Um café lê um jornal.
Saiu.

Partiu sem se despedir da empregada,
A repartição do
Trabalho e da vida
clamam
poesia no entanto
o poeta esta de greve, não remunerada disfarçada de
férias prolongadas.

Tempo

Embelecido por ontem a semana
Passada namorou-se com o ano retrasado.
Há uma hora atrás paralisou
A semana que ‘vêm’.

O amanhã não veio nem o
ontem nem o
hoje.

Amanhã, virão
Todos atrasados por terem se perdido
No tempo globalizado.

Sofrimento

Hematomas pulsam
a hipertensão da aurora.

A mulher cospe sangue.
O seu genital ainda torturado
declara ausência
diária, mensal, anual
de carinho.

Cinco de Novembro
as cinco horas do quinto dia do mês
na quinta esquina,
a mulher esta drogada e lúcida,
no entanto seus hematomas
sorriem para as estrelas
congeladas no gesso nulo
do seu sorriso lindo!

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